Destaques da reunião ISDS 2017

Reunião da Sociedade International de Displasias Ósseas realizada em Bruges

entre 20 e 23 de Setembro, recebeu mais de 250 participantes dos 5 continentes, sendo que a maioria eram geneticistas com interesse trabalhando em doenças ósseas raras.

Os representantes das companhias farmacêuticas que atualmente trabalham no desenvolvimento de tratamentos para acondroplasia e que participaram da reunião, forma a BioMarin, Therachon e Ascendis Pharma.

A Therachon foi representada pelo novo Director clínico, Christian Meyer, por Maarten Kraan, conselheiro, Luca Santarelli, CEO e Elvire Gouze, investigadora principal. A BioMarin foi representada por Paul Humphrey, Diretor Associado do Paciente na Europa e Charlotte Roberts, Gerente Senior do Paciente. A Ascendis Pharma foi representada por Dorthe Viuff, Diretora Global de Projetos.

A única empresa destas três que fez uma apresentação foi a BioMarin, mas sem divulgar dados sobre nenhum estudo. Além disso, o Dr. Ravi Savarirayan, do Murdoch Children's Hospital, Melbourne, Austrália, fez uma apresentação sobre o estado atual das terapias emergentes para displasias esqueléticas em ensaios e práticas clínicas, incluindo algumas linhas sobre o péptido C-natriurético para a acondroplasia e potenciais futuras opções terapêuticas específicas, mas sem novas informações sobre o estudo clínico em curso.

A Dra. Julie Hoover Fong, John Hopkings Hospital, Baltimore, apresentou um estudo multicêntrico em curso sobre a acondroplasia que pretende observar quais as complicações de saúde em pacientes com achondroplasia relacionados a doenças cardiovasculares, dor, comprometimento da função física e apneia obstrutiva/central do sono.

A história natural na acondroplasia e os fatores de risco são mal compreendidos e com este estudo pretende-se definir a história natural da acondroplasia e entender a eficácia das práticas médicas e cirúrgicas passadas e atuais. Julie Hoover-Fong está a realizar este grande registro multicêntrico com uma funcionalidade retrospectiva e prospectiva com o contributo de 5 centros clínicos nos EUA.

Outro palestrante foi o Hiroshhi Kitoh, da Universidade da Nagoya, Japão. Ele é um dos investigadores que trabalham na Meclozine e na sua apresentação, mostrou que o comprimento corporal de ratinhos com acondroplasia (ratinhos FGFR3 ach) foi aumentado por administração oral de 1 ou 2 mg / kg / dia de meclozina, assim como também verificaram um aumento de volume ósseo e a qualidade do osso trabecular.

Kitoh concluiu que ainda é necessário estudar a toxicidade e eventos adversos associados à administração de Meclozine a longo prazo e a equipa de investigação espera iniciar um ensaio clínico no Japão com 12 crianças com ACH nos próximos meses. Estes estudos de fase 1 e 2 serão realizado no Japão.

Mas um dos destaques mais relevantes do ISDS foi um estudo apresentado por Celine Saint-Laurent, uma das jovens investigadoras que trabalham na equipa de Elvire Gouze (iBV, Therachon). Celine estudou a ligação entre a mutação FGFR3 e as complicações metabólicas relacionadas à acondroplasia. Paralelamente a este estudo, Celine estudou os dados retrospectivos de crianças e adolescentes com acoondroplasia, medindo vários parâmetros e comparados entre três grupos etários: [0-3], [4-8] e [9-18] anos de idade.

Neste estudo feito com um modelo de ratinhos com acondroplasia, Celine injetou os ratinhos com Flag-sFGFR3 durante o período de crescimento e pode confirmar que o crescimento ósseo foi restaurado e as alterações metabólicas foram corrigidas com a administração deste composto. Neste estudo, Celine concluiu que os distúrbios metabólicos em pacientes com acondroplasia não estão associados a complicações clássicas da obesidade, como diabetes e que o sFGFR3 provou ser um tratamento promissor para a acondroplasia restaurando o crescimento ósseo e também com ação na prevenção de alterações metabólicas, principalmente no desenvolvimento da obesidade.

Florence Authier, também aluna de Ph.D. da equipe Elvire Gouze apresentou um estudo sobre a aplicação de uma técnica com imagens de infravermelhos de proximidade para avaliar a velocidade longitudinal do crescimento ósseo.

Na sua apresentação, Florence divulgou os seus estudos sobre o desenvolvimento de métodos in vivo para medir o crescimento esquelético no seu estágio inicial. Este passo é crucial para a caracterização de modelos animais para displasias esqueléticas, uma vez que a avaliação do crescimento esquelético em animais juvenis geralmente é realizada por um longo período de tempo de crescimento ósseo e requer várias medições do comprimento total do corpo, para ser possível obter valores relevantes e exige a análise de grandes grupos de animais. Este processo pode ser muito stressante para os animais. Esta tecnologia poderá vir a ser utilizada para o estudo do desenvolvimento precoce ósseo em modelos animais para displasias esqueléticas e avaliar potenciais terapias.

Martin Duplan, outro jovem investigador do INSERM, Paris e membro da equipa de investigação liderada por Laurence Legeai-Mallet, realizou uma análise comparativa de modelos específicos de ratos e concluiu que a mutação FGFR3, para além de afetar a diferenciação e multiplicação de condrócitos, também interfere na diferenciação de osteoblastos no crescimento dos ossos longos e do esqueleto craniofacial como na aquisição de massa óssea durante ossificação endocondral e membranosa. O investigador concluiu que a diferenciação anormal dos osteoblastos poderia contribuir para a ossificação defeituosa observada nas alterações relacionados ao FGFR3.

Em resumo, esta reunião foi muito informativa e houve inúmeras apresentações interessantes, relacionadas com várias displasias esqueléticas. A próxima reunião da ISDS será realizada em Oslo, em 2019.